
No âmbito das Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (OCEPE), as crianças do JI de Castanheira do Vouga assumiram o papel de verdadeiros cientistas e protetores do ambiente numa caminhada repleta de descobertas e aprendizagens significativas.
De mochilas às costas e curiosidade em riste, o grupo de pequenos exploradores – carinhosamente autointitulado «Os Guardiões do Rio» – partiu à descoberta da Praia Fluvial da Talhada. Mais do que um passeio ao ar livre, esta iniciativa transformou o meio natural num laboratório vivo, promovendo o bem-estar físico, a autonomia e a exploração do mundo que os rodeia, pilares centrais das áreas de Conhecimento do Mundo e de Formação Pessoal e Social.
Ao chegarem ao destino, as crianças participaram na atividade pedagógica «A Viagem da Gotinha Clara e o Mistério das Patas e Escamas», um fio condutor lúdico que desencadeou uma série de desafios científicos e ecológicos.
Através da história da «Gotinha Clara», os Guardiões do Rio viajaram pelo ciclo da água e pela flutuabilidade, compreendendo, de forma intuitiva, a importância da água para a vida no planeta. À beira-rio, as crianças testaram diferentes elementos naturais (folhas, pedras e ramos), formulando hipóteses e registando conclusões: porque é que uns objetos flutuam e outros afundam? Esta abordagem prática estimula o pensamento crítico e o método científico desde a infância.
A exploração de fenómenos físicos, como a flutuabilidade, e de fenómenos biológicos permite às crianças organizar o pensamento, levantar hipóteses e construir os seus primeiros modelos explicativos do mundo.
O «Mistério das Patas e Escamas», que dava nome à atividade, desafiou os pequenos exploradores para uma sessão de observação da biodiversidade local. Olhos bem atentos e ouvidos apurados permitiram identificar a fauna e a flora que habitam a Praia Fluvial da Talhada.
As crianças trabalharam na classificação de espécies, distinguindo os animais pelas suas características físicas. Esta classificação estendeu-se também à flora local, através da identificação de folhas com diferentes formatos e texturas, promovendo a literacia científica e o respeito pela vida animal e vegetal.
A educação ambiental e a cidadania ativa ganharam forma com a atividade «Caça ao que não pertence ao Rio», realizada pelos «Guardiões do Rio». Munidas de luvas e sacos próprios, as crianças transformaram-se em ecologistas de palmo e meio, identificando e recolhendo os resíduos deixados pelas ações humanas na praia fluvial.
Esta ação direta promoveu uma reflexão profunda sobre o impacto do lixo nos ecossistemas e a importância da preservação dos recursos naturais. Mais do que limpar, os Guardiões do Rio aprenderam a importância de reduzir, reutilizar e reciclar, interiorizando valores de responsabilidade social e ambiental que levarão consigo ao longo da vida.
Esta iniciativa demonstrou como as orientações das OCEPE ganham vida fora da sala de aula. Ao aliar o lúdico à investigação científica e à consciência ecológica, a caminhada à Praia Fluvial da Talhada não só enriqueceu o conhecimento das crianças, como também contribuiu para formar cidadãos mais conscientes, ativos e apaixonados pela Natureza.
Junho 17, 2026










